22/05/2020 às 20h04min - Atualizada em 23/05/2020 às 11h10min

Um bosta de um prefeito, faz um bosta de um decreto, diz Bolsonaro em vídeo

Por Willian Oliveira, com informações da Agência Brasil

https://youtu.be/fwoE_x7NJPw

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu hoje (22) retirar o sigilo parcial da gravação audiovisual da reunião ministerial realizada no dia 22 de abril. Pela decisão, somente a parte da reunião que envolveu discussões sobre outros países não será divulgada.

O ministro é relator do inquérito sobre a suposta interferência política do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal (PF). A reunião foi citada pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro durante depoimento prestado à PF, no início do mês, como suposta prova da interferência.

Em suas falas, Jair Bolsonaro é duro com Sérgio Moro e em diversos momentos cita o episódio ocorrido em Araraquara, em 13 de abril, quando uma mulher, que se recusava a deixar a Praça dos Advogados se envolve em uma confusão com a Guarda Municipal e acaba algemada e presa depois de muita resistência. Ela alega que foi agredida e teve uma costela fraturada, a GCM afirma que a mulher resistiu e se negou a deixar o espaço, mesmo sendo alertada sobre um decreto do prefeito Edinho Silva que proibia a permanência de pessoas no espaço. Uma GCM saiu ferida da ação, com o braço mordido.

Em um determinado trecho, ele critica decretos semelhantes ao de Araraquara e cobra o então ministro Sérgio Moro que se posicione. “Vou continuar indo em qualquer lugar do Brasil e ponto final, é problema meu. Tá certo. Se eu não tiver o direito de ir e vir? Prefeitinho lá do fim do mundo, um jaguapoca de um prefeito manda prender. Tem que a Justiça se posicionar sobre isso, pô. Tem que se posicionar abertamente. Tem que falar abertamente, não pode ficar quieto”, diz aos gitos

Em outro momento, volta a criticar, principalmente o fato da mulher ter sido levada, algemada para a delegacia. “Foi decidido há pouco tempo que não podia colocar algema em quase ninguém. Porque que estão botando algema em cidadão que está trabalhando, ou mulher que está em praça pública, e a Justiça não fala nada? Tem que falar, pô? Vão ficar quietos até quando? Tem que botar pra fora, esculachar”, cobra ele novamente de seu ministério.

Usando uma série de palavrões, Bolsonaro vai além e diz que uma das intenções de seu governo é livrar o país do comunismo e até mesmo de uma ditadura imposta, segundo ele por prefeitos. “O que esses filhos de uma égua quer é nossa liberdade. Olha como é fácil impor uma ditadura no Brasil, como é fácil. Como é fácil. O povo está dentro de casa. É por isso que eu quero, ministro da Justiça, ministro da Defesa: que o povo se arme. Que é a garantia que não vai aparecer um filho da puta para implantar uma ditadura aqui, porque é fácil impor uma ditadura, facílimo. Um bosta de um prefeito, faz um bosta de um decreto, algema e deixa todo mundo dentro de casa. Se tivesse todo mundo armado, ia pra rua...Eu quero dar um puta de um recado para esses bostas, porque que eu estou armando o povo, porque eu não quero uma ditadura”, esbraveja.

Edinho Silva Lamenta

Por meio de nota o prefeito Edinho Silva se manifestou e lamentou as declarações do presidente. “É lamentável a fala do presidente da república, em um momento como esse,  o que se espera de um líder é que ele construa a unidade do país contra o coronavírus, que defenda a vida e não a violência armada”, disse.

O caso

Na semana passada, antes da decisão do ministro Celso de Mello, o procurador-geral da República, Augusto Aras, defendeu no STF a divulgação somente das falas do presidente relacionadas com a investigação. No parecer, Aras afirmou que a divulgação da íntegra da reunião ministerial contraria regras e princípios constitucionais de investigação

A Advocacia-Geral da União (AGU) também defendeu divulgação de todas as falas do presidente, mas pediu que o sigilo seja mantido no caso de falas de outras autoridades que estavam presentes sobre "nações amigas” e comentários “potencialmente sensíveis” do ministro das Relações Exteriores e da Autoridade Monetária (Banco Central).

A defesa de Moro também enviou sua manifestação e defendeu a divulgação da reunião na íntegra.

Desde a exoneração de Moro, o presidente nega que tenha pedido para o então ministro interferir em investigações da PF.

Em um dos trechos da degravação feita pela PF, Jair Bolsonaro reclama de matérias jornalísticas contra membros de sua família e fala sobre o sistema de informações da Presidência.

“O meu particular funciona. Os ofi... que tem oficialmente, desinforma. E voltando ao tema: prefiro não ter informação do que ser desinformado por sistema de informações que eu tenho. Então, pessoal, muitos vão poder sair do Brasil, mas não quero sair e ver a minha a irmã de Eldorado, outra de Cajati, o coitado do meu irmão capitão do Exército lá de Miracatu se f*, p*! Como é perseguido o tempo todo. Aí a b* da Folha de S.Paulo diz que meu irmão foi expulso dum açougue em Registro, que tava comprando carne sem máscara. Comprovou no papel, tava em São Paulo esse dia. O dono do restaurante, do açougue falou que ele não tava lá. E fica por isso mesmo. Eu sei que é problema dele, né? Mas é a p* o tempo todo pra me atingir, mexendo com a minha família. Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar f* a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira.”

Em outra parte da reunião, o presidente disse que não poderia ser surpreendido com notícias divulgadas pela imprensa.

“Eu não posso ser surpreendido com notícias. Eu tenho a PF que não me dá informações. Eu tenho as inteligências das Forças Armadas que não tenho informações. Abin tem os seus problemas, tenho algumas informações. Só não tenho mais porque tá faltando, realmente, temos problemas, pô! Aparelhamento etc. Mas a gente num pode viver sem informação. Sem info... quem é que nunca ficou atrás da porta ouvindo o que seu filho ou sua filha tá comentando. Tem que ver pra depois que e... depois que ela engravida, não adianta falar com ela mais. Tem que ver antes... depois que o moleque encheu os cornos de droga, já não adianta mais falar com ele, já era.”

 


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