02/04/2021 às 14h20min - Atualizada em 02/04/2021 às 14h20min

Diagnóstico de transtorno do espectro autista deve ser feito nos primeiros anos de vida

No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, a pediatra Andreza Juliani Gilio explica como os profissionais da saúde avaliam novos casos

A prevalência de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem aumentado nos últimos anos. De acordo com o documento divulgado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças* em 2020, uma a cada 54 crianças vivem com o diagnóstico. Em 2004, o número divulgado pelo CDC era de 1 a cada 166. Com o intuito de levar mais informações à população, nesta sexta-feira (2), celebra-se o Dia Mundial de Conscientização do Autismo.
De acordo com a pediatra Andreza Juliani Gilio, o aumento de casos registrado nos últimos anos pode ter ligação, principalmente, com o crescimento da divulgação e conscientização sobre o tema, já que o TEA passou a ser debatido no Brasil em meados dos anos 2000, enquanto em outros países esse diagnóstico já era feito desde os anos 70 e 80.
“Além disso, também existe pesquisas que associam a idade mais avançada dos pais, a prematuridade ou baixo peso do bebê, e os poluentes do ambiente em que a família vive, entre outros fatores, com o aumento dos riscos de a criança ter TEA”, diz.
Para que o diagnóstico seja feito com precisão, Dra. Andreza explica que é necessário a atuação de uma equipe multidisciplinar, formada por um médico pediatra ou neurologista que trabalhe com o desenvolvimento infantil, terapeuta ocupacional, psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo, entre outros profissionais da saúde.
“É imprescindível que o pediatra faça um teste com algumas perguntas para os pais ou cuidadores de crianças, que tenham entre 1 e 2 anos, através de testes validados que resultam em um score. Esse critério não é um diagnóstico, mas uma triagem para identificar os sintomas. Se o score apontar um risco, o caso é encaminhado para investigação por pessoas habilitadas da área do neurodesenvolvimento, para que se tenha o diagnóstico de confirmação”, explica.
Nessa triagem, o médico irá avaliar como o bebê responde aos estímulos externos e se ele está condizente com sua idade em termos de desenvolvimento sensorial, motor e social.
Segundo a pediatra, crianças com TEA podem ter dificuldade de ouvir ou não perceberem sons altos, não gostarem de tocar e serem tocados por outras pessoas, terem algum distúrbio de coordenação devido à dificuldade de percepção de tato, terem aversão a determinados alimentos, não olharem nos olhos da mãe, entre outros sinais.
“Também é importante considerarmos que o TEA é um espectro possível de várias classificações, que pode reunir vários sintomas mais graves, como também se manifestar de forma mais leve e sem todas as associações”, explica.

Dia de reflexão
?Para Dra. Andreza, a definição de uma data para conscientização sobre o TEA deve ser valorizada justamente por ser um assunto muito recente em termos de medicina.
A pediatra explica que, em alguns locais pelo Brasil, o diagnóstico ainda não é feito, por falta de rotina nas consultas pediátricas ou até mesmo pelos próprios profissionais não se atentarem ao diagnóstico. A idade ideal para que o diagnóstico seja feito é entre 1 e 2 anos, sendo que atualmente ele é feito em crianças com 3 a 5 anos, em média.
“Quando a criança nasce, ela está formando as suas conexões neuronais, o que chamamos de neuroplasticidade. Então, quando o diagnóstico é precoce, é importante que ela seja estimulada por toda uma equipe da saúde o quanto antes para que ela tenha mais chances de ter uma adaptação melhor no meio social e se tornar um adulto com mais independência”, explica.
Em Araraquara, o Centro de Referência do Autismo está funcionando desde agosto do ano passado. Atualmente, os atendimentos são nas áreas de fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional e consultas com médico neurologista.
De acordo com a prefeitura, tudo é feito por agendamento e de forma individual, sem atividades em grupo, em razão da pandemia da Covid-19. As famílias que não se sentem seguras presencialmente podem ser atendidas a distância, por telefone ou chamada de vídeo.

*agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, que também serve como base científica no Brasil devido à falta de pesquisas concretas sobre a prevalência no país.


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