12/04/2020 às 07h39min - Atualizada em 11/04/2020 às 14h44min

Ex-moradora de Araraquara comenta situação da pandemia na Itália: "Parece tudo surreal"

Por Brenda Bento A brasiliense e ex-moradora de Araraquara Lucilene da Silva Teles mora há mais de 15 anos na Itália e comentou que os casos de coronavírus começaram devagar no país. "Aqui começou aparecer devagarzinho. Um por dia, dois, três e foi aumentando pouco a pouco, mas o que acontece, os governos colocaram que era uma coisa normal, que não pegava muito forte, que não tinha perigo, o perigo era mais para os idosos ou com pessoas pré-dispostas a outras doenças e assim fez e todo mundo acreditou. De repente, começou a aumentar, aumentar e aumentar e aí eles começaram a fechar, mas infelizmente foi comprovado tarde demais." Segundo Lucilene, na Itália a quarentena é bem rígida e os moradores estão há mais de um mês em isolamento social. "Estamos vivendo aqui realmente um terror, um horror, uma guerra. Muito trágica a situação aqui, está de dar medo." A ex-moradora de Araraquara também tem medo da situação aqui no Brasil por causa dos familiares. "Meu medo é pelo Brasil porque aí é meu país também, tenho minha família e me preocupo muito porque esse vírus chega sem ver, sem avisar e espalha muito rápido, é uma coisa impressionante." Vendo de perto a situação trágica na Itália, Lucilene acredita que muitas verdades sobre a doença foram inicialmente omitidas. "Falam em todos os lugares que a maioria [do risco é] pessoas idosas, com doenças patológicas, mas não é verdade, senão não estariam morrendo tantos médicos, enfermeiras, jovens, já teve morte de crianças, tem muitos jovens entubados, pega todo mundo, não existe esse negócio de só pessoas idosas e doenças patológicas." Para ela, ficar em casa em isolamento social é o único jeito de combater a doença. "Eu gostaria muito que os outros países que não têm tantos [casos] conseguissem entender. Não tem outra solução. O meu medo é depois de tudo isso vir uma grande depressão nas pessoas porque essa vida fechada dentro de casa é muito triste, muito deprimente." "Tem que ter força, tem que ter coragem, combater, como se combate uma guerra e não fechar os olhos e pensar que não acontece com a gente, que não acontece com meu vizinho, aqui acontece. Estou cheia de vizinhos com esse vírus, tem pessoas morrendo perto de mim, eu fico trancada na minha casa desinfetando tudo, morrendo de medo, é assim que estamos vivendo dentro do terror. Um caso muito triste aqui perto de mim, tem duas crianças pequenas de 7 e 10 anos fazendo quarentena sozinhos em casa porque a vó morreu de coronavírus e a mãe está internada pelo mesmo motivo", disse. Segundo ela, é proibido sair da porta de casa para fora sem usar máscara. Além disso, é necessário desinfetar até o carro após sair nas ruas. "O vírus é muito resistente. Nunca entrar em casa com sapatos sujos da rua em casa." Luciene contou que quando acorda, olha para o céu e agradece a Deus por mais um dia de vida. "A gente não tem ideia de quando vai sair desse pesadelo."
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