18/05/2020 às 12h10min - Atualizada em 19/05/2020 às 10h23min

IBOPE diz que pesquisa com teste de Covid-19 volta para Araraquara nos próximos dias

Por Willian Oliveira O Instituto Ibope Inteligência, responsável pela pesquisa que gerou polêmica em Araraquara na semana passada, afirmou por meio de nota, que voltará a fazer testes de coronavírus na cidade nos próximos dias com a coleta de sangue e a realização de questionários. O estudo foi interrompido quando vários moradores se assustaram com a presença de pelo menos 17 entrevistadores que circulavam em diversos bairros da cidade. Sem identificação, segundo a denúncia, eles passavam de porta em porta oferecendo a testagem rápida para a Covid-19. Várias pessoas chegaram a ser testadas, mas algumas se nagaram e chamaram a Polícia Militar e as Vigilância Sanitária e em Saúde. As autoridades araraquarenses entenderam, na oportunidade, que faltavam documentos que comprovassem a veracidade do estudo. A Secretaria de Saude sequer foi comunicada da pesquisa, da presença dos pesquisadores que vieram da capital paulista, epicentro da epidemia no Brasil. “São pessoas comuns, que vieram de São Paulo, cidade com alta taxa de contágio, fazendo testes invasivo nos moradores. Não tem nenhum responsável técnico da área da saúde supervisionando”, apontou no dia o coordenador de Vigilância em Saúde da Prefeitura de Araraquara, Rodrigo Ramos. O Ibope Inteligência assumiu que houve falhas nos procedimentos e diz que vai corrigi-las. "Os esclarecimentos para as autoridades locais estão em andamento para a autorização da realização das entrevistas. Houve uma falha de comunicação com as vigilâncias sanitárias. Os ofícios dessa pesquisa não chegaram em tempo para algumas secretarias municipais de saúde. Entretanto, um dia antes do início dessa pesquisa, foi enviado um email informando sobre a realização dessa estudo para os prefeitos das 133 cidades nas quais estão sendo coletados os dados", diz a nota. A Secretaria de Saúde, Eliana Honain, rebate a informação: “Não recebemos documentação. Quando chegarem as documentações nós vamos analisar, estudar e deliberar sobre isso e se estiver tudo dentro da legalidade e daquilo que a gente espera a pesquisa vai continuar, caso contrário não. Eles têm um orçamento alto, mas a gente tem responsabilidade. Não vamos deixar pessoas não habilitadas entrarem nas casas das pessoas para fazer coleta e leitura de um exame que não é simples e segundo a norma técnica a leitura precisa ser feita por um profissional de nível superior da área da saúde”, enfatizou. Caso consiga voltar o Ibope pretende fazer 250 entrevistas e coleta de amostras na cidade. "Todos os casos positivos serão notificados para a Vigilância Sanitária, conforme determinação das diretrizes do país", afirma a nota enviada para a redação do Araraquara Agora.O estudo A pesquisa é feita pelo Ibope e coordenada pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas. O Ministério da Saúde investiu R$ 12 milhões no projeto e dessa valor o Ibope deverá ficar com a maior parte, quase R$ 10 milhões. O objetivo é descobrir como se propaga a doença e qual a incidência de contaminações no país. Serão feitos 250 exames em cada cidade. Além de Araraquara, outras 132 foram escolhidas para o experimento. Ao final do programa seriam testadas 99.750 pessoas, mas os pesquisadores têm encontrado dificuldades em diversas cidades. Além da confusão registrada em Araraquara há registro de prisões, agressões e até destruição de material. O Ibope tem informado que todos os pesquisadores têm sido submetido a testes para o coronavírus e que apenas os negativados seguem para o trabalho nas ruas. Sobre a falta de capacitação técnica dos trabalhadores, o Ibope garante que todos foram treinados por profissional habilitado e que estão devidamente instruídos a utilizar material de proteção que garante a segurança deles e das pessoas que aceitam se submeter ao experimento. A Universidade Federal de Pelotas também se manifestou. Veja a nota na íntegra: A administração da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) vem a público prestar necessários esclarecimentos sobre a pesquisa EPICOVID19-BR, o maior estudo populacional sobre o coronavírus no Brasil. O estudo é coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da UFPel, que há cerca de 40 anos, realiza estudos epidemiológicos em Pelotas, no Rio Grande do Sul, no Brasil e no mundo. O EPICOVID19-BR é financiado e apoiado pelo Ministério da Saúde, tendo em vista essa experiência de mais de 40 anos da UFPel em pesquisas similares, além da experiência exitosa do EPICOVID19-RS, que já concluiu três fases, incluindo a testagem de anticorpos para coronavírus em 13.189 pessoas, de nove cidades gaúchas. O projeto EPICOVID-BR foi submetido à apreciação ética da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), tendo sido aprovado no dia 28 de abril de 2020, sob o número CAEE 30721520.7.1001.5313. Para a coleta de dados, foi contratado, após processo seletivo, o IBOPE, empresa com larga experiência em estudos populacionais. Todos os requisitos éticos e de segurança estão sendo seguidos, incluindo o uso de equipamentos de proteção individual, a inclusão apenas de entrevistadores com teste negativo para anticorpos do coronavírus e instruções para o descarte dos materiais, conforme pactuado com o Ministério da Saúde. O Ministério da Saúde responsabilizou-se por contatar os 133 municípios participantes da pesquisa, o que ocorreu por meio de ofício durante essa semana. Além disso, o estudo está divulgado na capa da página oficial do Ministério da Saúde (www.saude.gov.br). Infelizmente, desde o início do trabalho de campo no dia 14 de maio (quinta-feira), as equipes da pesquisa vêm passando por diversas situações constrangedores, amplamente noticiadas na mídia. Em quase 40 cidades, os pesquisadores estão de braços cruzados, esperando autorização dos gestores municipais, num processo burocrático que pode causar prejuízo aos cofres públicos, visto que a pesquisa é integralmente financiada com recursos públicos. Nas situações mais graves, os entrevistadores do IBOPE foram detidos, com uso de força policial, tendo sido tratados como criminosos. Trata-se de cerca de 2.000 brasileiros e brasileiras, que estão trabalhando para sustentar suas famílias, numa pesquisa que pode salvar milhares de vidas, e que mereciam proteção das forças de segurança e uma salva de aplausos por parte de toda a população. Ao contrário, as forças de segurança, que deveriam proteger os entrevistadores, foram responsáveis por cenas lamentáveis e ações truculentas, algumas delas felizmente registradas. Por mais que a comunicação formal do Ministério da Saúde aos municípios possa ter chegado muito perto do início da coleta de dados, nada justifica o comportamento de “xerifes” assumido por alguns gestores municipais, que impedem ou atrapalham a realização de uma pesquisa que, com o perdão da repetição, pode ajudar a salvar a vida de milhares de brasileiros. Em meio a uma pandemia sem precedentes, o Brasil mereceria que todos os gestores municipais, das 133 cidades incluídas na pesquisa, tivessem o mesmo comportamento da Prefeitura de Manaus, a cidade mais afetada pela pandemia no país, e que mesmo assim, foi a primeira na qual a coleta de dados foi encerrada. Ao invés de citar os maus exemplos, fazemos um agradecimento especial à Prefeitura de Manaus, que soube compreender a relevância da pesquisa, e mesmo vivendo a maior crise de saúde da história do município, permitiu que nossos pesquisadores fizessem o seu trabalho, dando todo o suporte necessário. Pedimos que essa nota seja amplamente divulgada, pela mídia, e por toda a população brasileira, especialmente nos municípios cujos gestores municipais não estão permitindo a realização da pesquisa. Apesar de tudo, nossas equipes estarão em campo até a terça-feira, dia 19 de maio de 2020, para garantir que o maior estudo populacional sobre coronavírus do Brasil continue ajudando a salvar a vida de milhares de brasileiros.


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